Eng. Reinaldo Cortelli / Engenharia De Aplicação
DU-O-LAP Selos Mecânicos
Tecnologia de Vedação – Selagem Mecânica
Vedação é
o processo usado para impedir a passagem de maneira estática
ou dinâmica de líquidos, gases e partículas
sólidas de um meio para outro. Podemos citar alguns
exemplos de vedações e aplicações,
como:
1. Juntas
em partes estáticas (ex.: flanges e carcaças).
2. Anéis
elastoméricos em partes estáticas e dinâmicas
de equipamentos (ex.: flanges e anéis em selos mecânicos).
3. Retentores
em partes dinâmicas de máquinas e equipamentos
(ex.: labiais para vedar lubrificante em mancais de bombas).
4. Gaxetas:
elementos mecânicos utilizados para frear o fluxo total
ou parcial.
Para a selagem de um eixo
rotativo, os mais freqüentes fundamentos são encontrados
em uma bomba centrífuga como na figura 1. Uma bomba
converte a energia de um acionador (um motor elétrico,
por exemplo) em energia de velocidade ou energia de pressão
do produto a ser bombeado. O produto bombeado entra pelo centro
do rotor que gira a velocidade relativamente alta, ocupa todo
o espaço entre as pás e a voluta (corpo da bomba)
e é centrifugado para o diâmetro externo do rotor
e então flui para a descarga da bomba com uma pressão
superior a da sucção. Esta pressão de
descarga flui para baixo por trás do rotor e se dirige
para a caixa de vedação, e embora existam algumas
maneiras de aliviar esta pressão, como por exemplo
a inclusão de aletas na parte traseira visando bombear
o produto para a descarga ou a execução de furos
de balanceamento equilibrando as pressões de descarga
e sucção, há a necessidade de evitar
que o produto saia por este ponto, pois não existe
possibilidade de eliminar totalmente a pressão completamente.
Este é o motivo de engaxetar ou selar eficientemente
a bomba centrífuga.
Em
misturadores / agitadores, as caixas de vedação
são submetidas às pressões destes vasos,
e a vedação do eixo deve ser adequada a vedar
o produto processado ou vapor do mesmo, no caso de execução
vertical destes equipamentos.
Gaxetas
O processo de engaxetamento
trata se do mais antigo método de vedar um eixo rotativo
ou alternativo, que basicamente consiste da compressão
de um material resiliente, macio e lubrificante dentro do
espaço formado pelo eixo e a caixa de vedação
do equipamento.
Em
uma típica caixa de gaxetas com anéis de secção
quadrada, estas encontram se em constante atrito com o eixo,
e é necessária uma lubrificação
líquida para remoção do calor gerado,
proveniente do próprio líquido a ser vedado
ou de outro líquido de fonte externa, garantindo que
haja sempre a permanência de uma fina película
entre as gaxetas e o eixo.
Embora o custo do engaxetamento
é relativamente baixo e de fácil disponibilidade
e instalação, encontramos alguns inconvenientes
neste tipo de vedação:
1. Necessidade
de ajustagens constantes das gaxetas ao desgaste do eixo (ou
luva). Com o desgaste das gaxetas e perda da resiliência
o vazamento aumenta e há necessidade de maior compressão.
2. Constantes
reapertos provocam irregularidades no eixo (ou luva) com eventual
necessidade de troca destes componentes.
3. Pode
haver geração de calor indesejável, considerando
o atrito e aumento considerável do consumo de energia.
4. Há
emissões indesejáveis de fluídos críticos
ao meio ambiente (inflamáveis, voláteis e agressivos).
Com a definição
de alguns problemas associados à vedação
por gaxetas, uma solução para estas questões
será a substituição de gaxetas para um
sistema de selagem mecânica.
Selos Mecânicos
Os selos mecânicos
foram desenvolvidos para diminuição nos níveis
de emissão de produtos em equipamentos rotativos (bombas,
compressores, misturadores, ventiladores industriais) de acordo
com normas ambientais, e são projetados para operar
por muito tempo sem manutenção (alguns casos
superior a 25.000h), entretanto são de custo de aquisição
superior as gaxetas e em alguns casos pode haver relativa
dificuldade na instalação.
A
figura 2 mostra um selo mecânico simples montado na
caixa de vedação de uma bomba centrífuga.
Basicamente os selos mecânicos são constituídos
em três partes:
1- Um
conjunto de faces de vedação: uma rotativa (anel
de vedação) e outra estacionária (sede).
2- Um
conjunto de vedações secundárias como
anéis elastoméricos (`O – rings´),
anéis em formato ``v´´ em P.T.F.E, anéis
em cunha em P.T.F.E, foles elastoméricos ou anéis
de grafite.
3- Estrutura
do selo mecânico como sobreposta (ou flange), luva do
eixo, colar, anéis de compressão, molas, pinos,
e parafusos.
Podemos
notar na figura que a parte rotativa é formada pela
mola, o anel elastomérico do eixo, e o anel de vedação
sobre o eixo. A parte estacionária é formada
pelo anel de vedação (sede) e anel elastomérico
alojados no interior da sobreposta que será instalada
na caixa de vedação da bomba centrífuga.
Podemos
mostrar nesta figura como evitamos que o produto bombeado
escape para a atmosfera em quatro pontos:
1- O
ponto x, onde o produto tentando escapar pelo eixo irá
encontrar o anel o-ring.
2- Nos
pontos y e z, respectivamente no anel o-ring da sede e na
junta da sobreposta.
3- O
último ponto é o ponto w, onde as faces do anel
de vedação rotativa e da sede estacionária
que são lapidadas e planas mantêm se em contato
proporcionando uma excelente selagem. Estas faces são
lubrificadas por um filme líquido microscópico,
e ocorre um pouco de emissão de produto para a atmosfera,
porém imperceptível em muitos casos.
Este
selo é muito básico e limitado para muitas aplicações,
e adiante em caráter resumido comentaremos a respeito
de tipos e projetos existentes no fundamento dos selos mecânicos,
materiais construtivos, sistemas auxiliares e seleção
do selo mecânico.
Tipos De Selos Mecânicos
1-
Selos simples: montados internamente nas caixas de vedações
são os mais encontrados no mercado e de preços
mais acessíveis.
Em
aplicações envolvendo produtos corrosivos, os
selos simples podem ser projetados para montagem externa promovendo
diminuição nos custos de metalurgia pela baixa
exposição dos seus componentes.
2.1
- Selos duplos: são utilizados quando as taxas de emissões
do selo simples não são adequadas. Aplicações
envolvendo líquidos tóxicos e danosos ao meio
ambiente, abrasivos em suspensão que desgastam as faces
de vedação e corrosivos que exigiriam metalurgia
custosa na estrutura de um selo simples. São disponíveis
em versão pressurizada e não pressurizada, e
podem possuir sistemas de monitoramento para segurança
operacional.
2.2
- Selo duplo pressurizado: injeta-se um líquido barreira
compatível com o produto a ser vedado dentro da caixa
de vedação entre o selo primário e o
selo secundário, a uma pressão superior a existente
neste produto. Ver figura 3.
2.3
- Selo duplo não pressurizado: o selo primário
normalmente opera como um selo simples efetuando todo o trabalho
de vedação. Há um fluido barreira dentro
da caixa de vedação entre o selo primário
e o selo secundário a pressão usualmente atmosférica
ou mais baixa.Com falha do selo primário, o selo secundário
exerce a função de vedar o produto até
que o selo possa ser reparado.
2.4
- Selo duplo – barreira de gás: utiliza se um
gás inerte barreira ao invés de líquido,
e tipicamente tem a mesma performance de um convencional selo
duplo não pressurizado, com a possibilidade de eliminação
de alguns sistemas de monitoramento. Ver figura 4.
2.5
- Selos cartucho: são selos pré-montados de
fábrica e todos os seus componentes são montados
num conjunto único sobre a luva, ajustada a uma sobreposta
não necessitando de nenhum ajuste internamente, evitando
os erros de montagem na bomba e promovendo ganho de tempo
em manutenções. Existem a aproximadamente 60
anos, e atualmente são padronizados em aplicações
em bombas nas normas internacionais DIN, ANSI, ISO e API.
Projeto dos Selos
Mecânicos
1
- Balanceamento: uma freqüente modificação
imposta a um selo mecânico é motivada pela pressão
de vedação e a velocidade periférica.
Se um selo interno é submetido a altas pressões
e velocidades, alterações no projeto devem ser
efetuadas visando não permitir que esta pressão
atue no anel de vedação em direção
a atmosfera, contribuindo para diminuição das
forças de fechamento e conseqüentemente o calor
gerado. É efetuado um degrau no eixo / luva do eixo
para criar uma maior área do anel de vedação
exposta a pressão de abertura. Ver figuras 5 e 6 –
respectivamente selo não balanceado e balanceado.
No
projeto do selo mecânico devem ser considerados os limites
pressão – velocidade. O tamanho do eixo e do
selo mecânico, a velocidade periférica, os materiais
das faces e as características do produto as ser vedado
são fatores importantes na determinação
dos limites de pressão de um selo mecânico para
uma aplicação específica.
A DU-O-LAP
utiliza “fea – finite element analysis”
para verificação do comportamento dos componentes
submetidos a altas pressões e altas velocidades, determinando
as deflexões e emissões de fluído para
a atmosfera. Ver figura 7.
2
- Selos de mola única ou molas múltiplas:
Nos selos de mola única
existem limitações e é indicado em aplicações
menos severas como em baixas velocidades. Não obstante
algumas poucas desvantagens, os selos de molas múltiplas
são preferidos e mais indicados, pois promovem baixas
distorções e melhor distribuição
da pressão das faces.
3.1
- Selos deslizantes e não deslizantes: conhecidos respectivamente
como selos “pusher” e “não pusher”.
3.2
- Selos deslizantes: utilizam molas simples ou múltiplas
para manter os contatos das faces. As vedações
secundárias são em anéis elastoméricos,
anéis “v” em P.T.F.E. ou anéis encapsulados
(P.T.F.E.). São relativamente de baixo custo e comercialmente
disponíveis em vários tamanhos, e aplicáveis
em altas pressões e em diversas configurações
de projetos.
3.3
- Selos não deslizantes: as vedações
secundárias são estáticas e são
utilizados foles metálicos, foles elastoméricos,
foles em P.T.F.E. ou grafite.
3.3.1
- Os selos de fole metálico são de alto custo
pela metalurgia superior e são utilizados em altas
e baixas temperaturas.
3.3.2
- Selos de fole de elastômero: são de baixo custo,
usam uma mola para energizar as faces de vedação
e são indicados em aplicações mais simples.
Devido suas limitações.
3.3.3
- Fole P.T.F.E.: são de baixo custo e indicados em
aplicações químicas agressivas.
4
- Anel de vedação flexível ou sede estacionária
flexível: o projeto do selo mecânico permite
esta variação, visando atenuar problemas de
bloqueamento em aplicações com sólidos
em suspensão.
Materiais Construtivos
Na especificação
de um selo mecânico, deve haver especial atenção
na escolha dos materiais construtivos, onde são verificadas
todas as propriedades físicas e químicas para
cada aplicação de produto a ser vedado. A temperatura
e a corrosão química são dois fatores
vitais, além de serem consideradas as propriedades
lubrificantes do produto bombeado ou misturado, com o objetivo
de levar o selo mecânico a uma vida operacional satisfatória.
Há décadas são especificada uma grande
variedade de materiais, e as normalizações restringem
os mesmos, buscando maior padronização e uniformidade
nas especificações. Descrevemos abaixo os mais
usuais:
1
- Faces de vedação: carvão premium, carbureto
de tungstênio, carbureto de silício, cerâmica,
ni-resist e bronze.
2
- Vedações secundárias: borracha nitrílica,
neoprene, P.T.F.E., etileno propileno, grafite, fluorelastômero
e perfluorelastômero.
3
- Parte estrutural: AISI 304, AISI 316, Alloy 20, Hastelloy
b, Hastelloy c e am-350.
Sistemas Auxiliares
As
condições operacionais encontradas em diversas
aplicações podem estar no limite dos selos mecânicos,
como presença de altas concentrações
de abrasivos, temperaturas baixas ou altas e produtos danosos
ao meio ambiente que devem atender aos requisitos de emissão
segundo normas vigentes. Visando aumentar a vida útil
do selo mecânico de forma econômica e atender
os limites de emissão para a atmosfera, devem ser analisados
as condições operacionais na ocasião
da especificação e escolher o melhor tipo de
selo mecânico, planos auxiliares e alguns sistemas auxiliares
descritos:
1. Separadores
de abrasivos.
2. Buchas
de fundo da caixa de vedação (para injeção
de produto).
3. Trocadores
de calor.
4. Protetores
de mancais.
5. Tanques
(pressurizados ou não) com instrumentação
completa para monitoramento de selos mecânicos duplos.
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| Figura 8 |
Figura 9 |
Figura 10 |
Seleção
do Selo Mecânico
A
seleção do selo mecânico apropriado para
uma aplicação específica em muitos casos
não é feita somente pelo fabricante, mas com
o envolvimento do fabricante do equipamento, pelas projetistas
e os usuários. Com isto, haverá maior conhecimento
dos diversos fatores envolvidos, e a garantia que o selo mecânico
especificado representará a melhor alternativa atendendo
aos requisitos ao máximo, durante o tempo mais longo
possível, exigindo o mínimo de manutenção.
Devido
a diferenças de projeto, peças, padronização
de materiais no cliente, custos envolvidos no fornecimento
e eventuais necessidade de atender a normalização
de selos mecânicos, a escolha final algumas vezes é
influenciada pela preferência pessoal e experiência
do usuário em determinada aplicação.
Durante a seleção
é preciso obter os dados mínimos:
1. Projeto
do equipamento a ser vedado: tipo de equipamento e as dimensões
completas do eixo (ou luva) e da sua caixa de vedação.
2. As
pressões e a temperatura na caixa de selagem.
3. Características
físico–químicas do produto bombeado ou
misturado, tais como: corrosividade, temperatura, densidade,
pressão de vapor, ponto de ebulição,
ponto de solidificação, viscosidade, abrasividade,
concentração e PH.
4. Custos,
limitações de espaços e disponibilidade
de controles ambientais.
Conclusão
A seleção de
um selo mecânico depende de vários fatores e,
sobretudo da experiência e conhecimento de quem o está
especificando, e deve ser discutido em detalhes na ocasião
da compra de um equipamento que possua um eixo rotativo e
deve ser vedado.
É
preciso contar com um fabricante de selo mecânico que
realmente responda pela especificação efetuada
e para proporcionar o suporte necessário a correção
de possíveis erros, evitando surpresas desagradáveis
na má escolha do tipo, materiais, planos e sistemas
de selagem.
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